Prólogo



Prólogo
Contos de Fadas

Era uma vez...
É desta forma que começam as estórias envoltas de brilho e misticidade. Contos mágicos sobre fadas, castelos, dragões, bruxas, príncipes e… Princesas. Estórias das quais são contadas aventuras e desafios que se encerram com um final feliz, uma conclusão ainda mais mítica que o começo. Vamos deixar a realidade e a verdadeira história para os livros da escola. Viveremos aqui o nosso próprio conto de fadas.
Para ter um conto de fadas, é necessário uma série de elementos:
Antagonistas que, por ideais irrelevantes ou insuficientes, estão dispostos a amaldiçoar a protagonista e qualquer outra pessoa que não concorde com aquilo que querem. Seu lado é sempre o lado do mal, e são claramente detestáveis, de aparência degradante. Eles são o mal, e sempre serão vistos com estes olhos.
Um príncipe encantado, alto, louro, forte e de olhos claros, destemido, rico, e atraente. Duvido que qualquer uma recusasse se casar com um destes homens, cujo único desejo é correr atrás e enfrentar todo o mal para encontrar e salvar suas amadas princesas.
Claro, as princesas. As cerejas dos bolos. Basicamente moças lindas, que sofrem nas mãos dos antagonistas. Seus únicos defeitos apenas as tornam ainda mais perfeitas, de forma que seja impossível encontrar algo que não seja virtuoso nelas. E não importa o que façam ou sofram, sempre terão um príncipe para salvá-las. Portanto, qualquer garota que se preze sonharia em ser uma princesa, certo?
Errado.
Certamente nenhuma garota desejaria isso se soubesse que fardo seria estar no lugar de uma princesa. Afinal, estão destinadas a aguardar seu príncipe encantado, aprisionadas em sua torre, apenas aguardando que as fadas realizem seus desejos ou o homem louro as salve. Até lá, viverão na espera de algo.
Mas e se os príncipes e as fadas não vierem? Em um conto de fadas a princesa jamais correria atrás deles, ela apenas... Esperaria. Esperaria em sua inútil existência que depois de chorar ou estar à beira da morte algo aconteça para que tenham seu final feliz. Mas e se o final feliz não chegar? E se o mal na verdade não for o mal? Afinal, os contos de fadas olhamos apenas por um lado, mas e se, no fim, os vilões não forem os vilões? Ainda estão destinados a enfrentar o fracasso. Enquanto que as princesas e os príncipes terão uma felicidade supostamente eterna, que sequer a morte pode interromper.
A morte. Uma outra pauta discutível.
Existe dois tipos de morte: A morte física e a morte espiritual.
Da morte física todos temos conhecimento, embora não gostemos de lembrá-lo. Trata-se do fim da vida neste mundo, quando nosso coração para de mandar sangue para o resto do corpo, ou quando nossa respiração para. De um jeito ou de outro, tudo acaba, e ninguém deseja isso para si. É um mal que sabemos que algum dia vai acontecer, mas não gostamos de lembrar.
A morte espiritual consegue ser bem mais complexa. Nós morremos não porque deixamos de respirar ou porque nosso coração parou de bater, mas sim porque simplesmente deixamos de viver. Deixamos de sentir, deixamos de acreditar e de sonhar. Ela não traz sofrimento para os outros ao redor, mas sim pelo corpo sem alma que vaga pelo nada em sua existência sem futuro.
Uma diferença entre as duas é que da morte física não há retorno. Não que confirmemos, na realidade. Já a morte espiritual tem cura, pode ser ressuscitada.
Eu sinto que estou morta há muito tempo, e quero renascer. Há muito tempo essa princesa cansou de esperar pelo príncipe, cansou de pensar no mal como o ruim, cansou de ver sem experimentar. Há uma linha tênue entre a vida e a morte, e há qualquer momento ela pode ceder. Eu não quero esperar por este rompimento, quero aproveitar as últimas oportunidades.

E então será que terei meu “felizes para sempre”…?


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