Capítulo 3


Capítulo 03
A Contagem Regressiva Final

A empolgação era tamanha na mansão da família Windsor.

Serena estava terminando de se trocar, enquanto tagarelava sem parar sobre como seria emocionante aquela manhã. Três dias haviam se passado desde o jantar da decisão do futuro da garota, no qual concluíram que ela poderia viajar por Kalos. Claro, Calem precisou intervir para que a decisão fosse tomada.

O rapaz lia um livro e vez ou outra fazia algum murmúrio que indicasse concordar com a menina, sem prestar muita atenção no assunto. Se perguntou como conseguiria aguentar meses assim, mas a resposta seria orar para que ela se empolgasse menos durante a trajetória.

Quando a garota saiu, estava vestindo um tipo de vestido negro com a saia vermelha como um rubi, com meias escuras longas e sapatos de tons parecidos. De um chapéu róseo caíam os fios louros da menina, e uma bolsa rosa estava em seu ombro. Já Calem usava uma jaqueta azul que o protegeria do frio de Kalos. Calças anil, com botas de cano alto, e um chapéu rubro sobre seus cabelos castanho-escuros.


— É hoje, primo! Hoje! Hoje! Hoje! — gritava Serena eufórica, puxando as mãos e o girando

Ele soltou as mãos dela.

— O arrependimento está começando a vir. — rebateu, seco. — Por favor, seja decente, Serena! — o comentário a fez rir.

Foi quando ouviu um som que costumava ouvir raramente, o do Grande Portão se abrindo. A garota arregalou os olhos, encaranto o primo de forma ansiosa e o segurando pelos ombros. Teria gritado, se não fosse por seus limites.

— Chegaram… Os Pokémons chegaram…!

Ela deixou o rapaz no cômodo e apressou o passo ao descer as escadarias para o Hall da mansão, notando a presença de um entregador. Uma caixa amarronzada era carregada com cautela, e após deixá-la encima de uma mesinha de centro, o homem se retirou.

Serena encarou o paralelepípedo de forma ansiosa, querendo a todo custo abrí-la. A família de ambos entrou no cômodo para o esperado momento. A última coisa que faltava para o início da jornada, que eram os Pokémons.

Ai, Arceus! Quanta animação me ocupou naquela hora! Dentro daquela caixa estava o Pokémon que me acompanharia por toda a minha jornada. O primeiro que eu teria visto na vida. A emoção era tamanha… Até que, finalmente, abri a caixa a pedido de Calem. Dentro tinham duas esferas bicolores, do tipo que eu só vira em imagens.

Calem examinou ambas, e entregou uma para a prima. Provavelmente era a qual a pertencia. Ele viu o sorriso imenso que formou-se em sua face ao segurar aquele objeto tão simplório, que era tão comum para muitos, e tão raro a ela. Os olhos verdes se encontraram com os castanhos.

— Abra. — pediu o rapaz, fazendo um gesto.

A loura sempre quisera fazer aquilo, como nos seriados. Pressionou o botão central desta e a lançou suavemente para cima. Uma rajada de luzes prateadas e brancas saltou para fora e assumiu, aos poucos a forma de uma criatura nova.

Um bichinho bípede e peludo, como uma ursinho de pelúcia. A pelugem era acinzentada, e branca em algumas partes, além de rebelde. Suas orelhas ficavam ocultas, como se escondessem certo mistério. Mas o que mais chamava a atenção eram seus olhos: púrpuros e grandes, como se não exalassem emoção, o que de certa forma quebrava o aspecto “100% fofura” do Pokémon.

Calem atirou sua Pokébola de mesma forma, vendo os raios brancos formarem uma criatura de forma curiosa, quase com o dobro do tamanho do Pokémon de Serena. Sua pele era resistente como uma pedra não vista comumente. Uma criatura presente em lendas antigas, com um corpo petrificado que mais parecia sua armadura.




— É um... Pokémon... — ponderou Serena, quase sem reação.

— Esse é um Espurr, do tipo Psychic. — observou Calem. — Aparentemente este tipo de Pokémon usa poderes mentais para atacar os adversários, e se a sincronia for avançada, podem até se comunicar com o treinador telepaticamente. — explicou.

Ela se abaixou até ficar na altura da criaturinha, encarando-a de frente. Fitou os olhos arroxeados e instigantes, como uma criança se deparando com um Pokémon pela primeira vez. Sentiu a respiração e os sons que o Espurr fazia, até enfim se pronunciar, sem ter certeza de como deveria se dirigir a ele, exatamente:

— Oi… Eu posso… Tocar em você…? — indagou.

O Pokémon, como era de se esperar, nada disse em linguagem humana. Serena aproximou sua mão com cautela, vendo-o cheirá-la. Aproximou mais, tocando no Espurr, que ficou resistente, mas logo cedeu. Era uma sensação engraçada tocar naquele monte de pelos emaranhados do Pokémon e acariciá-lo.

— Você é tão fofinho... Isso é tão maravilhoso, a sensação é ainda melhor do que eu imaginava que seria! — exclamou a garota.

Desta vez Calem que encarou seu respectivo Pokémon. Estava a uma distância “saudável” do mesmo, e o encarava com uma expressão não muito agradável. A criatura também o fitava com certo receio, além do típico olhar mal encarado de sua espécie.

— Certo. Larvitar. — concluiu o rapaz. — Tipo Rock e Ground, que apesar de não ser um dragão, faz parte de lendas antigas. Se sai bem em batalhas, e portanto seria uma escolha sensata.

Novamente o encarou. Nenhum dos dois moveu sequer um músculo em aproximação. Calem derramou uma pequena gota de suor e começou a respirar de maneira mais ofegante. Serena tentou compreender a situação, exatamente.

— Cal, por que você não tenta se aproximar dele? Alguns metros mais perto, talvez. — brincou.

— Não me apresse, isso leva um tempo. — rebateu. — Vou retorná-lo, e mais tarde tento me… Aproximar mais.

Ele levou o Pokémon novamente para a Pokébola, fitando a esfera de forma decepcionada. Não teve uma reação como Serena, infelizmente. Achou que a primeira vez que se deparasse com um seria bem diferente, especial. Mas não fora como o esperado.

— Você tem Pokéfobia? — indagou Serena.

— Essa palavra nem existe! — argumentou Calem, mudando o tom de voz. — Mas acho que tenho.

— E ainda será um treinador…? — perguntou, inocentemente. — Ah, você supera! Eu te ajudo.
Ele lançou um olhar piedoso e tentou sorrir.

— Mas agora que chegaram, nada mais nos prende aqui! — voltou a se animar. — Vou avisar meu pai que estamos saindo.

Serena subiu as escadas com pressa e bateu na porta do escritório do pai. Não houve resposta, a fazendo bater novamente, para continuar sem nenhum sinal. Ela abriu a porta suavemente e entrou com calma, vendo o homem de costas, encarando a paisagem que se estendia na mansão.

— Oi pai… Vim avisar que nós estamos de saída. — disse, com doçura.
Ele se manteve em silêncio absoluto.

— Eu… — Ela se aproximou um pouco de forma acanhada. — Posso abraçá-lo?
Ele fez um sinal para que parasse.

— Se poupe desta cena, Serena. — proferiu Stevan de forma rude. — Você sabe o que penso sobre sua viagemm mas isso não a impede de ir, claro.

Ela optou por não dizer nada. Jamais levantaria a voz para o pai, embora sua mente não ficasse tão silenciosa quanto a boca.

Isso é tão injusto! Por que eu sou a criminosa em querer minha própria liberdade? Eu não estou condenando ninguém mais por isso. Tirando o Calem.

— Mas saiba que eu vou esperar. — alertou, com uma risada rasteira. — Vou esperar você voltar quando descobrir que o mundo não é uma chuva de rosas como você imagina. Nos vemos em breve.
...

Toda a família, com exceção de Stevan, estava para ver Calem e Serena partindo. Estavam em volta do portão de saída, os observando em meio aos murmúrios e comentários, alguns positivos e muitos negativos. Já haviam usado os últimos dias para se despedirem, agora só aguardavam o portão se raberto.

— O Grande Portão vai abrir, o Grande Portão vai abrir, o Grande Portão vai abrir! — repetia Serena completamente eufórica.

— Quer parar com esse eco? Você não consegue ficar sem repetir as frases desde que acordou. Isso está me dando dores de cabeça. — resmungou Calem massageando a cabeça.

— Vai abrir!

O par de portas se moveu levemente para fora, dando espaço para a visão do que tinha atrás. Esse era um momento muito especial para Serena, algo pelo que esperara toda a sua vida, e era emocionante ver que finalmente estava acontecendo. Calem também não escondia certa curiosidade ao ver o que finalmente tinha atrás daquele portal.

No final não tinha nenhum abismo sem fim, ou uma floresta tropical, um deserto ou o fundo do oceano. Só tinha um caminho de terra em meio a grama e toda a naturalidade das árvores e flores. Mas, se quer saber, isso estava de muito bom tamanho.

Um caminho de terra ornamentado por árvores e arbustos, embora simples. Era uma das únicas — se não a única. — rota do mundo Pokémon que não possuía nenhum Pokémon a habitando. Ainda assim, para Serena, era algo completamente novo.

— Esse cheiro é tão diferente do jardim de casa. Imagina só, Cal, essas plantas nasceram e cresceram sem ninguém plantar, e sem jardineiro ou paisagista! Sozinhas! — dizia ela, enquanto caminhava de forma variada, algumas vezes girando pelo espaço aberto.

— Impressionante. — respondeu o rapaz ironicamente.

Ela se abaixou e mexeu com os arbustos, sentindo sua textura, enquanto que o primo apenas andava em linha reta sem empolgação, como se estivesse mesmo sendo punido por algo. Era assim que encarava o momento. A menina mexia em tudo e sentia o aroma de tudo. Só faltava provar.

— É quase igual da tevê, mas dez vezes melhor. Não, infinitas vezes melhor! Olha só, é de verdade! Olha esse ar puro! A textura da terra e da grama… — olhou nos olhos de Calem. — E você, o que acha?

Ele parou de andar.

— O que eu acho, Serena?  — perguntou. — Esse cheiro me dá náuseas, esse matagal é desconfortável para pisar, o sol está batendo com intensidade do meu rosto, e nós mal sabemos o que nos aguarda a cada passo. E você ainda pergunta o que eu acho?!

A garota riu de forma sincera. O mau humor de Calem a divertia, pelo menos, o que era algo positivo, visto que deveria aguentá-lo por toda a sua jornada. Ela começou a retirar os sapatos, recebendo um olhar incomodado do primo.

— Vou ficar descalça. — comentou.

Sentiu na pele a textura da grama fazendo cócegas em seus pés. Mas era uma sensação de liberdade, de finalmente não ter o piso de sua casa a atrapalhando para andar, ou a grama quase artificial. Ficou lá, no mesmo lugar, experimentando como era correr na grama.

— Serena, por favor... Se for ficar demorando assim a cada vez que estivermos caminhando, nunca vamos chegar a destino algum. — alertou, parando. — Mas uma pausa é sempre bem vinda. Estou exausto.

— Não estamos andando nem há dez minutos…

— E daí? Meus pés não estão acostumados com tamanha atividade. — respondeu.

Ele procurou uma pedra que estivesse próxima e abriu sua mochila, puxando dois panos. Com um limpou superficialmente a rocha, e depositou o outro para que se sentasse em cima dele. Serena tentou não rir da falta de naturalidade de Calem, e logo voltou a puxar assunto.

— O que acha de brincarmos de pega-pega? Vi essa brincadeira na internet ontem, e acho que é um ótimo momento para a testarmos-a! — convidou-o ela de forma inocente.

Ele se levantou, relutante, tentando ser uma boa companhia pela primeira vez.

— Certo, vamos jogar. — concordou. — Mas qual o limite do campo? Quem será o juiz?

Ela simplesmente se aproximou o suficiende dele, e tocou a ponta de seu dedo indicador na testa do rapaz, dizendo de forma meiga:

— Peguei você. — e correu delicadamente na direção oposta. — Agora você tem que correr atrás de mim e me pegar.

— Qual o propósito do jogo, exatamente? — questionou ele.

— Diversão. O mais ágil vence. — respondeu.

—Que maravilha. — reclamou, transbordando ironia. — Então iremos correr por aí igual dois desprovidos de inteligência, sem rumo, com o objetivo de nos divertirmos nesse meio do nada? Ótimo, perfeito. Por que não aproveitamos para abraçarmos árvores e rolarmos na grama?

Ela gargalhou alto.

— Você só diz isso porque corre igual um Dodrio manco. — argumentou, vendo ele aos poucos sair do lugar.

— Ah é? Falou a senhorita que corre igual um Girafarig em decomposição. — rebateu ele, começando a correr atrás da garota.

Aquilo foi divertido, tenho que admitir. Se eu sou ruim de corrida, o Calem conseguia ser tão péssimo quanto eu, desengonçado. Mas o propósito, que era entretenimento, foi concluído. Achei que meu dia não poderia ficar melhor, então corri os olhos pela primeira rota de Kalos.

Foi quando eu o vi.

Um rapaz jazia encostado sobre uma árvore, aproveitando a sombra naquele dia quente. Em sua boca tinha uma folha, a qual usava para assoviar e tocar uma música. Ele não era nem um pouco arrumado como Calem e Serena, mas ainda tinha certo charme, aos olhos de Serena. Os cabelos castanho-claros espalhados pelo rosto, e trajava roupas bem gastas. Os olhos verdes brilhantes se encontraram com os de Serena, fazendo-a corar.

Ao seu lado, um pequeno Pokémon, também com uma folha na boca. Esse sim era como um urso de pelúcia, fofo com pelugem negra, se não pela de cor areia em sua cabeça. Os pelos estavam um pouco sujos e bem emaranhados. Qualquer um sentiria vontade de abraçá-lo, se não fosse pelo seu olhar mal encarado que parecia transmitir uma mensagem clara: Só se aproxime se quiser morrer.

Eu e Calem paramos de correr. Vários pensamentos começaram a tomar minha mente. Talvez porque era o primeiro garoto que eu vira pessoalmente que não era de minha família. Ele estava um tanto quanto sujo, mas tinha uma beleza natural, algo que me fazia querer me aproximar dele e conhecê-lo. Talvez fosse aquele olhar tentador. Mas era como se os olhos fossem um mar esverdeado e frio, misterioso. Ele andou em minha direção.

— Lembra do que eu disse ontem a noite? Não conversemos com estranhos. — sussurrou Calem, inquieto. — Vamos andando devagar, talvez ele pare de vir na nossa direção.

Porém, o rapaz parou exatamente na frente de ambos, com os braços cruzados, o Pokémon o acompanhando. Calem ficou atrás de Serena, do lado oposto ao do pequeno urso, com um olhar um pouco amedrontado o encarando. O menino então se agachou, apoiando um dos joelhos no chão, e puxou a mão de Serena.


— Ora, a que devo a presença de uma belíssima dama nesta rota tão deserta? — indagou, com uma voz um pouco galanteadora. — Fico honrado em conhecê-la senhorita. Sou Charles Stuart, mas, por favor, me chame de Charlie. — e beijou a mão dela.

Serena corou, mas logo sorriu e respondeu com simpatia:

— Oi, Charlie. Eu sou a Serena, e esse é o Calem. —se apresentou. — E você poderia devolver meus anéis, por favor? — pediu.

Até então Calem sequer percebera, mas o rapaz puxou os acessórios de seu bolso, entregando-a. Em uma questão de segundos conseguira pegá-los quase sem ela perceber. Era algo notável, independentemente de se bom ou ruim.

— Você é mais perspicaz que eu. — admitiu, sorrindo.

— Olha, Charles, nós ficaríamos muito alegres em papear com você até que nossas cordas vocais se rompam, mas nós temos mesmo que ir. — interveio Calem, empurrando a prima.

— Ei, espere um segundo. — parou Calem tocando seu peito. — Não precisa ter medo de mim.

— Você ia roubar as coisas da minha prima. — argumentou Calem.

— Errado, eu ia furtá-la. — corrigiu. — Parece que alguém faltou às aulas de português. Para onde você está indo, linda princesa? — perguntou.

— Segundo o mapa do Calem, a próxima cidade é Aquacorde Town. — explicou. — Mas nosso primeiro destino é Santalune, onde ele vai batalhar pela primeira insígnia.

— Entendo. E estão os dois, viajando sozinhos. — observou Charlie, curioso.

— Não entenda errado, somos primos. — explicou Serena. — Mas sim, só nós dois.

— Não era isso que eu queria dizer. Vocês não irão durar muito tempo assim, sozinhos. — alertou. — Vão derrubá-los antes que possam terminar de dizer a palavra “queda”.

Calem se pôs à frente de Serena, mostrando uma expressão certamente incomodada. A prima não falou nada, apenas observou a cena. O primo levantou o tom da voz, ao perceber que estavam mesmo sozinhos naquela rota.

— E posso saber por quê? — questionou. — Acha que sou incapaz de proteger minha prima se precisar?

— Você estava com uma corrente de ouro, e ela com anéis. — observou Charlie. — Não sei de onde vocês vêm, mas Kalos pode ser perigosa se vocês não a conhecerem direito. E principalmente se não conhecerem as malandragens que habitam ela. — confessou.

Calem levantou a sobrancelha.

— E por que deveríamos confiar em você? — indagou de forma ríspida.

— Vocês não devem. — Charlie se virou e começou a andar. — Aliás, toma sua corrente de volta.
E jogou a corrente que Calem usava.

— Mas como… ?

— Porém, pude perceber que nenhum de vocês tem noção de mundo muito bem. Precisam de alguém pé no chão para chegarem em segurança a Santalune. — comentou. — Se estivessem dispostos, é claro.

— Agradecemos sua semi-irrecusável oferta, mas sabe como diz o ditado: Antes só do que mal acompanhado. — rebateu o rapaz rudemente.

Charlie levantou os braços em sinal de “Então não posso fazer nada”.

— Como preferirem. — concordou, voltando a caminhar.

Calem murmurou algumas coisas, mas Serena não deu ouvidos. Apenas fitou o mais novo conhecido se retirando com seu Pokémon, e pensou no que ele acabara de falar. Talvez tivesse razão. Com certeza tinha razão. Mas será que poderiam confiar naquele sujeito?

— Espera... Charlie... Venha conosco, por favor. — pediu a garota.

Calem a encarou mortalmente, como se ela tivesse feito exatamente o oposto do que ele dissera. Serena deu de ombros com sutileza enquanto era repreendida pelo mais velho.

— Você, por acaso, ficou louca?! Quer que ele nos acompanhe? Acabei de falar do perigo que é ter ele por perto! — avisou.

Serena olhou para baixo.

— Mas talvez ele tenha razão. — admitiu. — Nós nunca saímos de casa, Cal. Precisamos de alguém de fora para nos guiar, e evitarmos as coisas ruins.

— É claro que umas coisas ruins vão diminuir... Nós estaremos andando com outra coisa ruim! — debateu.

— Confie em mim. — ela disse, segurando seu rosto. Por um instante ele ficou em silêncio, e os dois apenas se encararam, ofegantes. — Se não pode confiar nele, confie em mim. É temporário. Tudo bem? — perguntou com delicadeza.


Charlie gostou da ideia de nos acompanhar um pouco, embora eu só quisesse que, no fim, desse tudo certo. Confiar em qualquer um é um pedido de suicídio para alguns, mas para mim não era. Foi então que me dei conta de que, finalmente, tinha começado minha jornada... A contagem regressiva havia acabado, eu finalmente estava livre para viver as minhas próprias aventuras. 



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