Análise: Taylor Swift - 1989



No final de Outubro, Taylor Swift resolveu arriscar: Largar o Country e entrar de cabeça em um projeto 100% pop, embora todo mundo saiba que ela sempre foi pop, o que foi um divisor de águas. Os que defenderam que Swift estava jogando fora seus últimos traços de originalidade, quebraram a cara ao se depararem com o novo material discográfico da cantora: 1989. O álbum é uma mina de ouro em hits - como já dito por algumas críticas. Letras que ficam na cabeça, batidas empolgantes e um toque da Taylor dos álbuns anteriores. Porém, será que esse álbum cumpre com as expectativas musicais e também, de fato, nos leva para 1989?

Ao avaliar o material, observamos primeiro a sexta faixa do disco, e também o carro chefe do disco, Shake it Off. A música já era um sucesso garantido, e se analisarmos, tem tudo que uma faixa pop precisa ter pra bombar, o que explica seu resultado nas tabelas musicais. Não é pra menos que estreou em 1º na Hot 100 da Billboard, já que é uma canção extremamente dançante e animada, e com uma letra divertida. Entretanto, a música pode ser considerada um pop superficial, que foge das letras mais maduras sobre relacionamentos que Swift construiu com sua carreira, sendo assim uma canção um tanto vazia de significados. Shake it Off provavelmente vai bombar por um tempo ainda e continuar batendo recordes, mas será daquelas músicas que se ouve poucos anos depois e ninguém mais quer saber. Ainda assim, não deixa de ser uma música divertidíssima e agradável, daquelas que não sai do replay. Por sorte, o disco consegue ser um tanto variado e cumprir com o que Shake it Off deixou pra trás.


Out of the Woods provavelmente será um dos próximos, se não o terceiro, single do álbum. Consegue mesclar um ritmo gostoso com uma letra bonita e que fica na cabeça com o refrão acelerado. Ela traz uma sensação de nostalgia e é uma das faixas com a pegada mais retrô do álbum, que nos leva para a época que nomeia o álbum. Versos como "Mas no fim os monstros voltaram a ser apenas árvores / Quando o Sol nasceu / Você estava olhando para mim" nos mostram que Swift não se esqueceu de como usar sua música de forma poética, ela só a deixou para as faixas certas.

Além de Out of the Woods, Style é uma das músicas que mais nos leva para 1989, o ano de nascimento da cantora, pelo uso dos instrumentos e mesmo a letra nostálgica. A faixa também é uma das promessas do disco, que provavelmente ainda vai bombar nos rádios.  Outros possíveis sucessos são "All You Had to Do Was Stay" e "I Wish You Would", que tem refrões que colam na cabeça, com vocais assoprados ao fundo e são sobre os clássicos relacionamentos que não dão certo, que a dona Swift sempre acerta.

A temperatura cai, mas a qualidade permanece alta em faixas como Blank Space, que  é o segundo single, e já fez Taylor bater um recorde, sendo a primeira mulher a se substituir no topo da Billboard (ela estava em 1º com Shake it Off, mas perdeu o trono para ela mesma, com Blank Space), com um clipe interessante, onde ela interpreta uma namorada louca e ciumenta, e uma performance de pegar fogo (literalmente) no AMA.


Há algumas músicas que não chegam a ser descartáveis, mas que não cumprem o prometido, como Welcome to New York - a música de abertura do álbum. - que é uma melodia divertida e chiclete, mas que se resume a contar as experiências de Taylor se mudando para New York - um tema um tanto manjado. I Know Places talvez seja a forma que Taylor nos conta como é viver um amor de celebridade - rodeada por paparazzis e gente que adora uma fofoca, porém não traz um ritmo tão envolvente quanto outras partes do disco.

This Love é uma daquelas que mais traz traços dos discos anteriores, tanto na melodia calma quanto na letra sutil. Por outro lado, Clean mostra metáforas mais pesadas e verdadeiras, que nos entregam as verdadeiras faces de um amor que não deu certo, com seu ritmo leve. E por falar em pesado, temos Bad Blood, a música que tanta gente esperava. Uma letra que nos deixaria em dúvida se foi escrita para um ex namorado ou uma ex amiga mentira, todo mundo sabe que foi pra Katy Perry se não soubéssemos que foi escrita para uma suposta "colega de trabalho que tentou passar a perna em Taylor".

A versão Deluxe ainda tem três faixas bônus e mais três versões novas das músicas anteriores. Wonderland, You Are in Love e New Romantics. Enquanto a primeira traz referências claras e óbvias do clássico Alice in Wonderland, a última volta à proposta do álbum, em ter aquela pitada retrô e disco. You Are in Love não apresenta tanto diferencial do resto do álbum, se encaixando bem como um bônus.

As músicas têm esse toque mais clássico, cumprindo com a ideia do disco, e apresentam uma linha bem parecida - não são várias músicas jogadas em um mesmo CD. Além disso, tem brincadeiras interessantes da cantora para com os problemas conhecidos, fazendo piada do que dizem sobre ser namoradeira ("Vou a muitos encontros / Mas não consigo fazê-los ficar / Pelo menos é o que as pessoas dizem" em Shake it Off, por exemplo) e sobre as perseguições e especulações da mídia.

Por fim, Taylor nos presenteou com um ótimo material. Normalmente é difícil um artista passar por uma transição e conseguir manter a qualidade de seu trabalho, sem perder fãs ou ganhar críticas melhores, mas Swift fez o certo ao investir em bons produtores e compositores, e 1989 vai bater quantos recordes puder ainda. Só resta saber qual hit ela vai querer divulgar por enquanto e qual vai querer deixar pra depois. Se o final de 2014 não foi pra Taylor, 2015 tem de tudo pra ser o ano dela.

Singles: Shake it Off, Blank Space
Pra deixar no replay: Blank Space, Style, How You Get the Girl, Shake it Off, All You Had to Do Was Stay

Coerência: 9
Inovação: 8
Produção: 9
Composição: 8
Geral: 8,5

Entradas similares

0 Comentarios